Dia das Crianças: Alimentação e Afetividade

Muito se fala sobre hábitos saudáveis e que os mesmos devem ser introduzidos na primeira infância. O que comer e o que não comer, o que é saudável e o que não é saudável, é sempre motivo de preocupação quando se trata de nutrientes nesse estágio tão importante. Mas será que só a introdução alimentar, isoladamente, é o que realmente merece atenção nessa fase?

É indiscutível a importância da introdução de alimentos saudáveis, naturais e minimamente processados na alimentação da criança. Porém, algo que também merece bastante destaque é o comportamento alimentar. Precisamos ficar atentos a não somente o que a criança come, mas como, quando, a frequência, a aceitação e as recusas de alimentos.
É bem comum associarmos a rejeição de algum tipo de alimento com o velho e bem conhecido discurso que crianças estão morrendo de fome no mundo. Além disso, algo bem comum é relacionar a última garfada com recompensas, por exemplo, a sobremesa.

Nascemos com os sinais de fome e saciedade bem definidos, e nos alimentamos intuitivamente, isto é, comemos quando estamos com fome e finalizamos nossa refeição quando estamos satisfeitos. Mas, infelizmente esse sistema não continua funcionando tão bem assim com o passar do tempo. O discurso autoritário e as recompensas fazem com que a criança perca a conexão com seus sinais de fome e saciedade.
No caso do discurso de crianças sem acesso a alimentação, elas se guiam pelo remorso ou medo e não mais pela fome ou ausência dela. E quando se trata de alguma recompensa, elas ignoram os sinais corporais pois tem um objetivo maior: o doce, que é visto como um troféu.
É muito importante também ressaltar que, no caso de uma criança com uma recusa alimentar muito frequente, deve-se procurar auxílio de um nutricionista e/ou médico.

Outro aspecto que merece destaque são os papéis que a comida desempenha em nossas vidas. Além do aspecto central da alimentação que é nutrir nosso corpo, vale ressaltar que a comida apresenta o papel social, afetivo, cultural, entre outros. Você consegue lembrar de algum aniversário sem bolo e docinhos? Qual é o local da casa que as pessoas se reúnem para algum tipo de confraternização? Aposto que o cheiro de um bolo assando na casa da sua avó faz com que você viaje no tempo de volta para a sua infância. Todos esses aspectos devem ser levados em consideração, pois segundo a Organização Mundial da Saúde, o conceito de saúde engloba não só bem-estar físico, bem como o mental e social.

Portanto, é interessante nos mantermos atentos ao que é dito às crianças, e mais do que isso, darmos o exemplo da importância da alimentação nas nossas vidas, para que, problemas relacionados ao comportamento alimentar sejam facilmente evitados no futuro. Embora nutrir nosso corpo através de uma nutrição gentil seja imprescindível, não podemos deixar os outros papéis da alimentação de lado. Comida é conexão, afetividade e bem-estar.

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Nutricionista, vegetariana, apaixonada por comida de verdade, pelo estilo de vida simples, harmonioso e com mais propósito, e por uma nutrição mais integrativa, gentil e humanizada.